Cedo ou tarde




Tarde te amei.

Sempre te procurei

Beleza tão antiga

Em mim, tão nova.


Eis que estavas

Dentro

E eu, fora

E fora Te buscava


E me lançava

Disforme

E nada belo,

Perante a beleza

De tudo

E de todos

Que criaste.


Tarde te amei

Estavas comigo

O tempo todo

E eu não estava

Contigo

E nem comigo


Tarde te amei

Por muito tempo

Me distrai

Longe de Ti

Com coisas que não

Existiam senão em Ti.


Tarde te amei

Me chamaste,

Me clamaste

Esperaste por mim

Até que eu rompesse

A minha surdez.


E então

Cedo ou tarde

Brilhaste,

Resplandeceste

E a Tua Luz afugentou

Minha cegueira.


Cedo ou tarde

Exalei o Teu Perfume

E respirando-o,

Suspirei por Ti.


E hoje te desejo

Cedo e tarde

Eu Te provo

Te saboreio

E tenho fome

E sede de Ti.


E nada tarde,

Ardo em desejos

Por Tua presença

E Tua Paz!


Escrita por Janete Ferreira


Fortemente baseada em

Santo Agostinho, Confissões 10, 27-29.💫